Advento:
Caminhar para Cristo que vem
O Advento marca o início de
um novo ano litúrgico. O Advento deve ser celebrado com solenidade e
com discreta alegria. Não se proclama o “Glória”, para que na
festa do Natal nos unamos aos anjos e entoemos este hino como algo novo,
dando glória a Deus pela salvação que realiza no meio de nós. Pelo
mesmo motivo, o diretório litúrgico orienta que flores e instrumentos
sejam usados com moderação, para que não seja antecipada a plena
alegria do Natal de Jesus. As vestes litúrgicas devem ser de cor roxa,
bem como o pano que cobre o ambão, sinal de conversão em preparação
para a festa do Natal. A exceção está no terceiro domingo do Advento,
Domingo da Alegria, cuja cor tradicionalmente usada é o rosa, Isto
realiza-se para revelar a alegria da vinda do libertador que está bem
próxima e numa referência à segunda leitura que diz: “Alegrai-vos
sempre no Senhor. Repito, alegrai-vos, pois o Senhor está perto” (Fl
4, 4).
Desenvolvemos
dentro de nós uma alegria for a do comum, a alegria da aproximação do
Cristo invade os nossos lares. Deus entra nas nossas vidas nas nossas
casas e no nosso intímo, É preciso fazer do Advento um tempo forte de
oração e de discernimento, proveitemos este magnifico tempo para fazer
um balanço nas nossas
vidas e corrgir os erros passados. Daí que seja importante saber que o
Advento é o tempo de clamar, em viva voz, (mas suave): Vem Senhor
Jesus!
A
espiritualidade que rege o Advento está repleta de uma simbologia que
nos toca intimamente e que nos fazem experimentar em profundidade a
presença do Deus da Vida, do Deus libertador. Este Deus, é o Deus que
se revela na pessoa de Jesus de Nazaré e que nos leva a acreditar num
Projecto de Vida, num projecto de solidariedade, de justiça, de
fraternidade, de esperança e de paz.
Deus é fiel as suas promessas: o Salvador virá! Desta certeza resulta
a alegre expectativa da renovação da vida, pois a fé cristã acredita
que aquilo que se espera acontecerá com certeza. Não estamos diante de
algo irreal, de algo do passado, mas diante de uma realidade concreta e
actual. A esperança da Igreja é a esperança do povo cristão, que já
realizada em Cristo promete-nos uma vida concreta e objectiva, cheia de
acção e de determinação. Uma vida vivida no verdadeiro sentido do
Advento, isto é, vivida na Esperança só se consumará definitivamente
no Senhor. Por isso, o brado da Igreja característico nesse tempo é
“Marana tha”! Vem Senhor Jesus! O tempo do Advento é tempo de
esperança porque Cristo é a nossa esperança (1Tm 1, 1).
O
tema da espera do Messias e a comemoração da preparação para este
acontecimento salvífico atinge o seu auge nos dias que precedem o
Natal. A Igreja fumenta sente-se submersa pela leitura profética.
Lembra-se de nossos Pais da Fé, dos patrísticos e dos grandes
profetas. Ela sabe que deve escutar Isaías nas suas promessas
messianicas, recorda-se do pequeno núcleo dos amigos de Yahvé que estão
ali para esperá-lo: Zacarias, Isabel, João, José e Maria.
O Advento é, pois, como uma intensa celebração
da longa espera na história da salvação, o descobrimento do mistério
de Cristo presente em cada página do AT é parte fulgral para a vida do
cristão que sabe viver o Advento. O Cristão aprende a conviver com o
Cristo escondido no AT. O tempo Advento é um tempo para redescobrir a
centralidade de Cristo na história da salvação. Recordam-se nesta época
mais do que nunca os Seus títulos messiânicos através das leituras bíblicas
e das antífonas: Ele é O Esperado, O Libertador, O Salvador, das nações
e por fim Cristo é aquele que é O Anunciado pelos profetas... Cristo O
Messias virá para nos rencaminhar para Deus. Cristo revelado pelo Pai,
converte-se no personagem central, da relacção intíma que existe
entre Deus e a humanidade. Cristo trona-se por isso na chave da história
da humanidade, na história da salvação. Ele virá para nos encaminhar
para a salvação. O
Advento é também um tempo propício à conversão. Sem um retorno de
todo o ser a Cristo não conseguiremos a viver a alegria e a esperança
da Sua vinda. É necessário que “preparemos o caminho do Senhor” em
nossas próprias vidas, lutando contra o pecado através de uma maior
disposição para a oração e mergulho na Palavra.
O Advento é para nós um tempo real, que tem de ser
vivido até às suas ultimas consequências.
VEM SENHOR JESUS.
Vitorino Fernandes 2000